Doutor Sono: a continuação esquecível de O Iluminado | PodPOP em TEXTO #61

Doutor Sono, adaptação do best-seller de mesmo nome escrito por Stephen King, estreou sem grande alarde da crítica e dos fãs. Aqui vamos te mostrar porque isso aconteceu.

Por Igor Sarilho

O filme conta a história de Danny Torrance (Ewan McGregor), agora adulto, anos depois do ocorrido em O Iluminado.

Dessa vez, ele encontra  Abra Stone (Kyliegh Curran), uma garota ainda mais poderosa que ele, que está em perigo, sendo perseguida pelo grupo Verdadeiro Nó, liderado por Rose Cartola (Rebecca Ferguson).

Danny então decide ajudar Abra a combater esse fortes inimigos, se reencontrando com as suas memórias durante o caminho.

Só pela sinopse você já percebeu o quão diferente Doutor Sono é de O Iluminado, não é?

E isso fica ainda mais aparente no filme dirigido por Mike Flanagan.

Existem momentos bons, porém, eles se perdem entres os diversos momentos ruins.

OS MAIORES NOMES NÃO DECEPCIONAM

Os dois principais nomes do elenco são Ewan McGregor e Rebecca Furgeson. Os dois fazem os opostos do filme, o herói e a vilã. E, como já era de se esperar, não decepcionam quem assiste.

Ewan entrega um Danny maduro, forte, que entende seus dons e, ao mesmo tempo, perdido, fraco e que tem medo de usar o poder que possui. O ator passa bem essa ambiguidade que o personagem tem dentro de si, e, principalmente, como isso afeta sua vida.

Ferguson, por outro lado, é uma vilã imponente e sem fraquezas, que sabe bem o poder que tem. A atriz, com sua postura, a maneira de falar e seus gestos consegue demonstrar muito bem toda a força da vilã.

Mas é quando ela está em seus momentos de fraqueza que Ferguson mostra sua real capacidade de atuação e rouba a cena.

As atuações desses dois atores é o ponto mais alto do filme, salvando o fraco trabalho dos personagens coadjuvantes e de Kyliegh Curran, que vive a garota ajudada por Danny.

UM ROTEIRO FRACO COMPLICA A SITUAÇÃO

A trama de Doutor Sono, mesmo com boas viradas e reviravoltas, é arrastada e as 2 horas e meia do filme são bem sentidas por quem assiste.

O roteiro apresenta algumas cenas, personagens e ligações com O Iluminado que são desnecessárias. O filme funcionária tranquilamente sem elas.

As melhores partes, como o motivo de Doutor Sono ser o título do filme, são abafadas por momentos que você, telespectador, não entende porque aquilo está sendo mostrado. Cenas em que até a atuação de Ewan MacGregor perde a sua potência e o ator fica parecido com atores de novelas infantis.

O que faz um bom filme é um bom roteiro, e o de Doutor Sono não é bom.

É STEPHEN KING OU KUBRICK?

Assistindo ao filme, você consegue perceber claramente porque ele não consegue agradar nem os fãs e nem os críticos: a adaptação não se decide entre ser um sequência do filme ou uma sequência do livro O Iluminado.

Doutor Sono tenta seguir bem a risca o livro de Stephen King, mas, ao mesmo tempo, tenta ser uma sequência do filme, e isso não funciona.

O filme de Kubrick fez várias mudanças na trama original do livro O Iluminado, deixando a parte sobrenatural mais simbólica, menos evidente. Além disso, a produção não construiu o universo mágico presente nas páginas.

Doutor Sono chega tentando construir esse universo, assim como ele é na obra original, deixando a parte sobrenatural muito mais clara. Isso faz o filme se destoar do de Kubrick.

Só que, ao mesmo tempo, a adaptação traz elementos, cenas similares e atores parecidos com os do filme de 1980.

Por conta disso, quem assiste se perde entre o clima misterioso de O Iluminado e o mágico de Doutor Sono, prejudicando o telespectador a entender o que o filme pretende ser.

A adaptação se perde entre duas visões diferentes, a de King e a de Kubrick, e esquece de criar a sua própria.

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